Brasilidades de um artista plástico que reinventa a si mesmo

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O artista plástico brasileiro contemporâneo Abraham Palatnik deu uma entrevista certa vez sobre seu estilo de criação e sobre a reinvenção da pintura, como sendo uma arte de reinventar-se a si mesmo.

Seu apartamento, carinhosamente apelidado por ele de “apartalier”, é o local onde ele cria e monta suas obras, que ocupam praticamente a casa toda. Todo o apartamento onde mora é um imenso atelier, com porcas, parafusos, ferramentas e instrumentos criativos e originais, inventados por ele para facilitar o processo criativo e a montagem dos trabalhos.

Em seu atelier livre de pintura e escultura, ele se inspira em estímulos externos como paisagens e a natureza morta para construir aparelhos cinecromáticos e objetos cinéticos. Continuar lendo

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Retratos da figura humana

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Observar um quadro é como olhar através de uma janela. Do outro lado não está apenas a visão do artista para compor a obra, nem as pinceladas coloridas utilizadas na pintura. Dentro de uma tela existem sentimentos, comportamentos e personalidade. Existe uma história real, um cenário, uma época, uma trajetória, um poema.

Você já notou que os nomes das pinturas sempre são simples e diretos, expressando exatamente o que o pintor retratou? MULHER CARREGANDO JARRO. MENINA BRINCANDO DE BONECA. AUTORETRATO DE UM CONDE. MULHER TOMANDO BANHO. BANHISTA ENXUGANDO A PERNA DIREITA.

O que parece apenas cena do cotidiano reflete um período histórico, a visão crítica do pintor e até suas reflexões sobre os costumes e a sociedade da época em que viveu. Continuar lendo

Impressões e expressões sobre o encontro de dois pequenos aprendizes

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Ao longo de toda a nossa existência, presenciamos situações indescritíveis e momentos memoráveis. Quadros vivos que só podemos guardar nas lembranças, nenhum registro (seja a captação de imagens ou vídeos) conseguiria expressar a realidade vivenciada. Emolduramos na alma – para quem teima em romantizar a vida e perfumá-la diariamente. São esses pequenos instantes em que você toma a pílula da felicidade e nem sabe. Quem tem filhos sabe que a nossa motivação diária está em vê-los se desenvolver e observá-los evoluir, trilhando o próprio caminho – mesmo sabendo que eles nem imaginam o que lhes espera pela frente.

Desde que eu tive meu filho, cada dia é uma nova descoberta, novas fases e alegrias. O aprendizado deles nos torna mais sábios, pois não somos mais meros expectadores da vida, somos aprendizes disfarçados de conselheiros, professores, educadores e amigos. Sabemos que nada sabemos. Aprendemos junto com eles. Continuar lendo

Teatro Cego: não ver para entender

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Como descrever uma experiência que não se vê, apenas se sente com três sentidos – audição, olfato e tato – e com a alma? Como explicar a sensação diferente de se colocar no lugar de uma pessoa que não possui a visão?

Pense naquele momento em que você está lendo um livro, imaginando os cenários, aprendendo sobre os personagens, criando as situações, o figurino e as personalidades. No Teatro Cego imaginamos tudo, só que as situações surpreendem seus sentidos o tempo todo e você participa da história, com apresentação de música ao vivo e efeitos sonoros. Continuar lendo

Criatividade, talento e Lego: cada peça é essencial

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Na época em que eu era criança – isso já tem bastante tempo, há aproximadamente umas três décadas atrás – a diversão estava presente em todos os lugares: na pedrinhas soltas no chão da rua, nos brinquedos feitos de madeira, em utensílios de cozinha coloridos, em recortes de papel colorido que formavam pipas, em bonecas e carrinhos feitos de plástico e até nas revistas antigas que se tornavam verdadeiras obras de arte depois de muitos rabiscos e desenhos com canetas coloridas, lápis e borrões de tinta.

A criatividade estava presente em todas as brincadeiras, porque era fácil imaginar cenários, personagens e figurinos, dando vida à imaginação. Era simples porque as crianças brincavam ao ar livre, aproveitavam a companhia de seus amigos, jogavam bola, pulavam Amarelinha e apostavam corrida nas ladeiras das ruas menos movimentadas. Continuar lendo

O Amor

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A nossa vida muitas vezes segue em um ritmo tão frenético que não conseguimos reservar um tempo para pensar nas lembranças. Eu não gosto de viver de passado, muito menos ficar relembrando coisas que já aconteceram há muito tempo, afinal, não podemos mudá-las e elas foram úteis em nosso aprendizado. Mas existem memórias que guardamos com carinho, as quais vale a pena trazer a tona. Pessoas queridas que já se foram, momentos especiais pelos quais passamos, situações engraçadas e aprendizados compartilhados.

A felicidade está nas pequenas coisas, as mais simples, aquelas que muitas vezes não enxergamos ou negligenciamos. Meus irmãos encontraram um poema que eu escrevi há muitos anos, acredito que ainda na adolescência (não tem data, então não posso afirmar com precisão) e me presentearam de uma forma indescritível. Recordações que valem a pena compartilhar por aqui. Quando eu tinha 14 anos, entrei em um clube de autores novos. Era bem parecido com um Clube do Livro, só que era um Grêmio Literário que incentivava jovens autores e poetas a escrever e publicar. Foi nessa época que me apaixonei por escrever poesias e poemas e comecei a compor. Continuar lendo

A criatura é o reflexo de seu criador

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Todos nós sabemos que o nosso olhar, nossa visão e até nossa percepção de tudo o que nos cerca são limitados e dependem, sobretudo, da forma como pensamos.

Acredito no ditado que diz que somos aquilo que pensamos, ou seja, somos o que sabemos. Se nosso conhecimento é capaz de mostrar quem realmente somos, então nossas criações, que são frutos de nosso imaginário e conhecimento empírico, também refletem o nosso “eu” interior.

Foi com esse contexto em mente que fui conhecer as criações da escultora australiana Patrícia Picciani, que misturam hiper e surrealismo, em esculturas de tamanho real. Continuar lendo