Jornada empática

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Empatia: a técnica de se colocar no lugar de outra pessoa e ver o mundo através da perspectiva dela. Essa forma de transposição pode ser mais difícil do que imaginamos, principalmente se escolhermos uma pessoa completamente diferente de nós, com um estilo de vida totalmente oposto. Um mendigo, um andarilho, uma prostituta, um viciado em drogas pesadas, um traficante ou uma dona de casa que sofre abusos físicos e psicológicos do marido mas não tem coragem de se separar dele.

Essa foi a proposta da aula ministrada pelo filósofo e pensador cultural Roman Krznaric, fundador da The School of Life, que aconteceu em setembro no Rio de Janeiro. Comecei a pensar em como seria não pertencer a lugar algum, não ter família e amigos para amar, ficar abandonada nas ruas, passando fome, sentindo sede e frio.

A proposta da escola não é deixar as pessoas tristes e nem depressivas. Apenas quer ajudar essa nova geração que está chegando a enxergar o mundo de forma mais humanizada. Estamos vivendo uma Era de mudanças, onde a tecnologia, a beleza e o prazer instantâneo tomam conta das mentes jovens. O computador, o celular e a televisão são mais interessantes do que conversar com os amigos pessoalmente.

A palestra foi bem diferente. Para começar, todos os convidados tinham que aquecer a voz com um grito que expressasse seu entusiasmo. Em seguida, fomos presenteados com músicas brasileiras maravilhosas, interpretadas por uma cantora e um músico que tocou violão. Fomos convidados a cantar Samba do Avião, de Tom Jobim e Sampa, de Caetano Veloso.

Segundo o filósofo, a empatia pode nos levar quase sempre à criatividade, pois conhecendo os problemas e as dificuldades do outro, podemos ajudar a encontrar soluções.

O mais difícil é tentar se imaginar no lugar de pessoas que você não simpatiza, aquelas das quais você discorda a maior parte do tempo. Esse é o grande desafio colocado por Krznaric: buscar aventuras experimentais, sair da rotina, encontrar pessoas desconhecidas e com comportamentos diferentes e conversar com elas.

Admito que essa troca de riquezas e conhecimento me intrigou. Imaginei-me passando uma semana com uma vida completamente diferente – me transformando em uma peregrina, por exemplo, e conhecendo missas em diversas religiões e idiomas. Que tipo de aventura experimental eu posso ter? Quem eu posso conhecer? Que tipo de pessoa posso ser?

“Vulnerabilidade não é fraqueza, é a maior medida de nossa coragem”, dizia Brené Brown. Vários filmes retratam sobre esse tipo de experiência, em diversos pontos de vista. Me lembrei dos que mais gosto que são Se eu fosse você e Do que as mulheres gostam. São longa metragens que fazem com que entremos na tela e por alguns momentos nos sentimos no lugar do personagem principal, vivendo aquela experiência junto com ele. Isso é empatia. Eu poderia citar vários filmes que retratam sobre o assunto, incluindo mães que trocam de lugar com as filhas e adultos que voltam a ser crianças… Você se lembra de algum?

Krzanic citou dois filmes excelentes que nos fazem mergulhar ainda mais neste universo empático: All quiet on the western front (um clássico) e Orgulho e Preconceito. O primeiro se passa durante a Primeira Guerra Mundial e fala sobre as experiências de um soldado. O segundo é um filme sobre um casal apaixonado que não tem coragem de demonstrar os sentimentos um pelo outro por puro orgulho.

Os filmes, os livros, as fotografias e as lembranças tem esse enorme “poder” de mexer com nosso imaginário e provocar emoções boas e ruins, nos teleportando para um mundo imaginário.

A ideia apresentada pelo pensador que mais me chamou a atenção foi o Museu da Empatia, com Bibliotecas Humanas. Você consegue imaginar? Pense em um restaurante elegante, onde você escolhe uma mesa, se senta confortavelmente, pega o cardápio e escolhe uma pessoa aleatória para conversar. Durante alguns momentos você pode “pegar emprestada” qualquer pessoa do menu para uma breve troca de informações e curiosidades. Pode ser um padre, uma bailarina, um marceneiro alemão ou um jogador de futebol americano. Lembre-se: você só pode escolher um perfil oposto ao seu.

Se você quiser continuar com a experiência, poderá descobrir outras atividades super criativas em outras salas disponíveis no museu, como uma mini-fábrica de roupas, onde poderá se sentir no lugar de um trabalhador vietnamita, fabricar uma blusa e receber $0,50 ao final.

Mas não se acanhe. Se não tiver coragem de conversar pessoalmente, uma Biblioteca de Empatia online te ajudará a compartilhar conhecimento e você poderá fazer upload de perfis de diversas pessoas ao redor do mundo.

Conheça os seis hábitos das pessoas altamente empáticas, segundo o pensador britânico que se dedica ao estudo dos estilos de vida:
– Ligue o cérebro empático
– Dê o salto imaginário
– Busque aventuras experimentais
– Pratique a arte de ouvir e conversar
– Viaje na sua poltrona de casa
– Inspire uma revolução

Com quem você mais precisa desenvolver empatia? Sabe como fazer isso? Que hábito você gostaria de desenvolver e quais são os próximos passos que você precisa seguir para alcançá-lo nas próximas 48 horas? – essas foram as perguntas que Roman Krznaric deixou ao final da aula. Minha resposta? Eu gostaria de revolucionar o comportamento humano, criando projetos sociais que integrem diferentes gerações. Este tipo de projeto já existe, não estou tentando inventar uma fórmula, apenas aperfeiçoá-la. Um exemplo é o “Papo de Responsa”, que acontece no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Ver policiais conversando com moradores de comunidades me faz ter esperança e acreditar que todos nós podemos inspirar uma revolução, mesclando introspecção com extrospecção. Só depende de nós.

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Gostou? Quer adquirir mais conhecimento?
Veja esses links interessantes:

The School of Life
The School of Life Brazil (Facebook)
Roman Krznaric
Livro Sobre a Arte de Viver, de Roman Krznaric

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Vanessa Guimarães é jornalista, mora no Rio de Janeiro, trabalha com Comunicação Corporativa e é apaixonada por arte, cultura e entretenimento. Coleciona livros e tem muita história para contar. Atualmente seus hobbies são escrever, viajar e bajular a chinchilla de estimação que mora com ela e com o marido. Nos momentos mais estressantes, gosta de tocar piano para relaxar.

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