A vida em preto e branco

 

Imagine o cenário: um teatro lotado, pessoas ansiosas para assistir a um filme mudo e em preto e branco. Já pensou entrar na máquina do tempo e voltar para a década de 20, para vivenciar essa cena? O Teatro Municipal do Rio de Janeiro proporcionou essa incrível experiência. Por uma noite, me senti de volta a um tempo que eu não conheci. Nessa época, meus avós estavam nascendo. Meu avô materno, que hoje está com 93 anos, era apenas um bebê.

Na década de 20, um dos maiores astros era Charles Chaplin, conhecido como Carlitos. O ator também era roteirista e diretor dos seus filmes, por isso foi considerado uma grande influência na época. A característica mais marcante de Chaplin era sua visão crítica da época, principalmente em relação à classe operária, economia e política, questões que gostava de retratar em suas histórias.

O cinema foi inventado em 1895 pelos irmãos Lumière, mas só começou a apresentar som em 1927. Antes disso, todos os filmes eram apresentados em preto e branco, sem o som das vozes dos atores e o barulho dos movimentos. O teatro (que foi substituído posteriormente pelas salas de cinema) contava com apresentação ao vivo de uma orquestra, que entretia os espectadores com músicas e sons, dando emoção às cenas.

Nos anos 20 o cinema era uma sucessão de fotos fixas, apresentadas por projeção para a tela, utilizando vinte e quatro imagens por segundo. Nele, eram apresentados filmes de ficção, desenhos e notícias (que foram substituídas pelos telejornais de hoje) e era utilizado como um veículo de cultura de massas, atingindo um grande número de pessoas, de todas as classes sociais, mas principalmente a burguesia.

O Teatro Municipal projetou o filme O Garoto (The Kid), que foi lançado em 1921, com a apresentação da Orquestra Sinfônica do teatro. A história mostra a vida de uma mãe solteira que abandonou o filho, por não ter condições de criá-lo. Chaplin faz o papel do Vagabundo, que encontra o bebê em uma ruela e decide levá-lo para sua humilde casa. O tempo passa, ela se torna uma atriz rica e famosa e tenta recuperar o filho desaparecido. Esse é um dos grandes sucessos do cinema mudo e o primeiro longa metragem da carreira de Chaplin. A lista de filmes que valem a pena ver com o ator é gigantesca, mas eu tenho os meus preferidos. Recomendo: Tempos Modernos, O Grande Ditador e O Circo. A lista de filmes é enorme, vale a pena procurar a filmografia, ler a sinopse e escolher. Qual é o seu favorito?

Para quem gosta de filmes antigos, alguns clássicos nunca saem de moda e inspiraram inúmeros outros filmes modernos: Casablanca, …E o Vento Levou, La Dolce Vita, Os homens Preferem as Loiras, Quanto Mais Quente Melhor, Sabrina (versão de 1954), A Princesa e o Plebeu, Gata em Teto de Zinco Quente, Cantando na Chuva e A Megera Domada. Quais filmes você me recomendaria?

O filme O Artista, lançado em 2011, tenta resgatar o universo dos filmes antigos, com um toque de glamour. O longa metragem começa em preto e branco e mudo, e vai ganhando cores e som no decorrer da história. A trama é bem elaborada, as coreografias são bonitas e alguns trechos lembram muito cenas do filme Cantando na Chuva. Vale muito a pena ver e rever. Torço para que produzam mais filmes neste estilo.

A vida pode ser retratada em preto e branco nos filmes, mas tudo o que precisamos é que ela seja na realidade bem colorida! Precisamos colorir todos os dias, mesmos nos momentos em que tudo parece cinza, com manchas escuras. Tudo depende do olhar de quem vê (e da cor da tinta).

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