Retratos da figura humana

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Observar um quadro é como olhar através de uma janela. Do outro lado não está apenas a visão do artista para compor a obra, nem as pinceladas coloridas utilizadas na pintura. Dentro de uma tela existem sentimentos, comportamentos e personalidade. Existe uma história real, um cenário, uma época, uma trajetória, um poema.

Você já notou que os nomes das pinturas sempre são simples e diretos, expressando exatamente o que o pintor retratou? MULHER CARREGANDO JARRO. MENINA BRINCANDO DE BONECA. AUTORETRATO DE UM CONDE. MULHER TOMANDO BANHO. BANHISTA ENXUGANDO A PERNA DIREITA.

O que parece apenas cena do cotidiano reflete um período histórico, a visão crítica do pintor e até suas reflexões sobre os costumes e a sociedade da época em que viveu.

O ser humano é tão complexo e possui tantas facetas que diversos artistas ao longo do tempo tentaram expressar através da pintura um pouco das banalidades e proezas, fazendo um tributo ao próprio corpo e à própria vida.

Nada melhor do que mergulhar nesse mar de conhecimento, de palavras não ditas e imagens que são observadas e analisadas com diversos tipos de interpretações. Nada mais prazeroso do que tentar imaginar – mesmo que seja impossível – todo o envolvimento daquele artista com sua obra, toda a sua expectativa e bagagem deixadas através de singelas pinceladas.

A Mostra Entre Nós – A Figura Humana no Acervo do Masp, que ficou em cartaz no CCBB do Rio de Janeiro, trouxe um pouco dessa realidade, desses seres humanos que foram retratados e imortalizados – já não somos todos? – através de mais de cem obras originais de artistas como Tintoretto, Pablo Picasso, Ticiano, Auguste Renoir, Van Gogh, Diego Rivera, Burle Marx, Portinari, Modigliani e Lasar Segall.

Quem nunca ouviu falar de El Greco e suas obras pintadas em 1600? Artistas nacionais e internacionais, como o italiano Tintoretto, com obras de 1500, se destacam por retratar a figura humana de forma tão peculiar, particular e espetacular.

Os detalhes das obras nos permitem observar com um outro olhar a vida no passado. Em uma época que não existiam câmeras fotográficas, o olhar do artista tirava as fotos das imagens que observava e registrava magistralmente em sua memória, transmitindo para a pintura essa visão de seu universo particular. Absorver um momento, captá-lo repleto de ricos detalhes e conseguir pintá-lo de forma tão magistral requeria maestria, talento e um pouco de amor à arte e à própria vida.

Eis uma oportunidade de observar-se de forma mais humana e desnuda, desconstruindo preconceitos, estereótipos e preceitos e reconstruindo um novo olhar acerca de nós mesmos e de tudo o que nos cerca, através de novas perspectivas.

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Vanessa Guimarães é jornalista, mora no Rio de Janeiro, trabalha com Comunicação Corporativa, é palestrante e apaixonada por arte, cultura e entretenimento. Coleciona livros e tem muita história para contar. Atualmente seus hobbies são escrever, viajar e praticar a empatia. Nos momentos mais estressantes, gosta de tocar piano para relaxar.

 

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