Brasilidades de um artista plástico que reinventa a si mesmo

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O artista plástico brasileiro contemporâneo Abraham Palatnik deu uma entrevista certa vez sobre seu estilo de criação e sobre a reinvenção da pintura, como sendo uma arte de reinventar-se a si mesmo.

Seu apartamento, carinhosamente apelidado por ele de “apartalier”, é o local onde ele cria e monta suas obras, que ocupam praticamente a casa toda. Todo o apartamento onde mora é um imenso atelier, com porcas, parafusos, ferramentas e instrumentos criativos e originais, inventados por ele para facilitar o processo criativo e a montagem dos trabalhos.

Em seu atelier livre de pintura e escultura, ele se inspira em estímulos externos como paisagens e a natureza morta para construir aparelhos cinecromáticos e objetos cinéticos. Continuar lendo

Retratos da figura humana

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Observar um quadro é como olhar através de uma janela. Do outro lado não está apenas a visão do artista para compor a obra, nem as pinceladas coloridas utilizadas na pintura. Dentro de uma tela existem sentimentos, comportamentos e personalidade. Existe uma história real, um cenário, uma época, uma trajetória, um poema.

Você já notou que os nomes das pinturas sempre são simples e diretos, expressando exatamente o que o pintor retratou? MULHER CARREGANDO JARRO. MENINA BRINCANDO DE BONECA. AUTORETRATO DE UM CONDE. MULHER TOMANDO BANHO. BANHISTA ENXUGANDO A PERNA DIREITA.

O que parece apenas cena do cotidiano reflete um período histórico, a visão crítica do pintor e até suas reflexões sobre os costumes e a sociedade da época em que viveu. Continuar lendo

Teatro Cego: não ver para entender

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Como descrever uma experiência que não se vê, apenas se sente com três sentidos – audição, olfato e tato – e com a alma? Como explicar a sensação diferente de se colocar no lugar de uma pessoa que não possui a visão?

Pense naquele momento em que você está lendo um livro, imaginando os cenários, aprendendo sobre os personagens, criando as situações, o figurino e as personalidades. No Teatro Cego imaginamos tudo, só que as situações surpreendem seus sentidos o tempo todo e você participa da história, com apresentação de música ao vivo e efeitos sonoros. Continuar lendo

Criatividade, talento e Lego: cada peça é essencial

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Na época em que eu era criança – isso já tem bastante tempo, há aproximadamente umas três décadas atrás – a diversão estava presente em todos os lugares: na pedrinhas soltas no chão da rua, nos brinquedos feitos de madeira, em utensílios de cozinha coloridos, em recortes de papel colorido que formavam pipas, em bonecas e carrinhos feitos de plástico e até nas revistas antigas que se tornavam verdadeiras obras de arte depois de muitos rabiscos e desenhos com canetas coloridas, lápis e borrões de tinta.

A criatividade estava presente em todas as brincadeiras, porque era fácil imaginar cenários, personagens e figurinos, dando vida à imaginação. Era simples porque as crianças brincavam ao ar livre, aproveitavam a companhia de seus amigos, jogavam bola, pulavam Amarelinha e apostavam corrida nas ladeiras das ruas menos movimentadas. Continuar lendo

A criatura é o reflexo de seu criador

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Todos nós sabemos que o nosso olhar, nossa visão e até nossa percepção de tudo o que nos cerca são limitados e dependem, sobretudo, da forma como pensamos.

Acredito no ditado que diz que somos aquilo que pensamos, ou seja, somos o que sabemos. Se nosso conhecimento é capaz de mostrar quem realmente somos, então nossas criações, que são frutos de nosso imaginário e conhecimento empírico, também refletem o nosso “eu” interior.

Foi com esse contexto em mente que fui conhecer as criações da escultora australiana Patrícia Picciani, que misturam hiper e surrealismo, em esculturas de tamanho real. Continuar lendo

O fantástico mundo cubista de Pablo Picasso

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Eu tenho um filho de um ano e nove meses que, apesar da pouca idade, admira as artes e a cultura assim como eu.

Desde que tinha um ano de idade ele me acompanha a todas as exposições, livrarias, apresentações musicais e eventos culturais que sua idade lhe permite. As exposições de arte já fazem parte de nosso programa favorito – só perde para as idas à pracinha, claro.

Ele sempre se comporta em todos os lugares e demonstra que está apreciando – dentro do limite de seu entendimento – cada obra que visualizamos. Continuar lendo

Troca por um Quadro

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A TV, a Internet e todas as tecnologias atuais nos proporcionam uma enxurrada de novas ideias e novos artistas todos os dias. Essa superexposição cotidiana das pessoas e seus supostos “dons” causaram uma banalização dos artistas e da criatividade. O que vemos na verdade são pessoas escandalosas, que querem chamar a atenção a qualquer custo para conquistar a “fama”, mesmo que esta seja temporária.

Justamente por isso, está cada vez mais difícil reconhecer os verdadeiros talentos, as ideias originais e os artistas completos, que possuem dons natos. Mesmo assim, alguma característica acaba sobressaindo e o verdadeiro artista consegue se sobrepor aos outros e enraizar seus projetos e suas técnicas. O artista completo, na minha opinião, é aquele  que possui seu próprio estilo, que, apesar de ter influências diversas, possui uma vertente própria, original e autêntica. Ele não copia, não reescreve, nem adapta. Ele cria.

Um projeto contemporâneo que me chamou a atenção foi o Troca por um Quadro. O artista plástico brasileiro Pedro Melo, criou uma proposta diferente: percorrer diversos países e trocar a arte feita por qualquer tipo de experiência, seja comida, bebida, hospedagem, passeio, viagem ou outros aprendizados. Continuar lendo